domingo, 8 de fevereiro de 2009

Vida de Imigrante


Quem acompanha meu blog pessoal sabe tudo que tenho vivido desde que cheguei ao US.


Mas algumas meninas da imigracao us pediram para eu fazer um resumo para quem nao leu, rs


Haja resumo, porque tenho vivido tao intensamente que as vezes fica dificil contar.




Quando olho para esses dois meses que estou aqui mal acredito que sejam apenas so dois meses! Ja vivi e aprendi tanto nesses dois meses que tenho a impressao de que sao dois anos!


A imigracao que acontece por causa de casamentos é sem duvida uma das mais intensas.


Nunca fui imigrante antes, mas vivi por alguns anos na Europa, o que poderia chamar de imigracao temporaria. Como fiquei tres ou quatro anos sem voltar ao Brasil, conheci algumas das principais caracteristicas da vida de imigrante, a perda de contato com a historia do país, o desenraizamento, a sensaçao de nao fazer mais parte de lugar nenhum! Mas o desafio era sem duvida menor! Eu precisava me adaptar ao país, o que já um grande desafio. Entretanto como imigrante com visto de noiva, o desafio é duplo, precisamos nos adaptar tambem a uma pessoa de cultura diferente, a vida de casada num contexto diferente. Daí vem essa sensaçao de ter vivido dois anos e nao dois meses! :)




Aqui nos US vivo o dilema da integracao (que confesso que no Sul é aparentemente mais facil, ainda é cedo para tirar conclusoes, mas tenho sido bem recebida onde chego aqui) vejo que sao duas as tendencias, integrar-se ou isolar-se.


Trabalhei muitos anos preparando grupos de imigracao para o Canada e estudando a politica de imigracao desse pais percebi que eles encorajam fortemente o recem chegado a integrar-se em sua propria comunidade de origem. Isso é bastante compreensível porque o isolamento e a solidao em uma cultura estranha pode levar a depressao e ao retorno.


A imigracao Canadense é um pouco diferente da imigracao de outros países por se tratar de uma imigracao desejada. O Canada precisa de imigrantes e tenta educar seu povo a receber bem o imigrante. Mas esse receber é relativo, porque nao há uma mistura real com esse imigrante.


Se ele nao tiver sua prorpria comunidade, ele vai ficar isolado.


Isso ocorre em praticamente todos os paises, e aqui nao escapa a regra. No entanto, para muitos de nos nem existe uma comunidade brasileira onde passamos a morar. Para outros o isolamento em um 'gueto' cultural tambem nao é atraente!




Por outro lado, a imigracao + casamento, tem uma lado integrador, temos um companheiro, muitas vezes o apoio dos amigos e familia do marido o que tambem facilita muito as coisas. Se por um lado temos um desafio muito maior, por outro tambem temos um suporte muito grande que é de imensa ajuda nesse processo.


Para voce ter uma ideia nao me via como imigrante ate o meu primeiro dia de aula (semana passada). Foi aí que caiu a ficha, quando a professora começou a falar sobre a vida de imigrante!


Não havia me visto como imigrante até então, mesmo sabendo que era, mas para nós fica muito mais em evidencia o fato de estarmos nos casando por isso ainda nao havia me visto ainda como um imigrante...

4 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Vivi 2 anos na Alemanha e, por isso, percebo muito bem o problema da integração. Nesse período, eu não a quis, mas se a quisesse não a iria conseguir porque os alemães são muitíssimo fechados.
Mas vc tem a vida facilitada por ter casado com um americano...
Felicidades para vocês.
Beijo.

Fatima Cristina (www.fccdp.com) disse...

Oi Mirian,
Me sinto numa realidade parecida com a sua, somente com alguns anos de defasagem. Após meu doutorado na Inglaterra, onde passei 5 anos, casei com meu namorado (de entao 4 anos) que é austríaco e vim morar na Áustria.
Em Londres, eu nunca me entendi como imigrante, pois sabia que estava lá de passagem. O peso da problemática de ser imigrante e de ter de se integrar me ocorrei já aqui na Áustria. Já moro aqui há quase 14 anos e o sentimento de que "eu ainda nao pertenço" a este país continua presente. Mas a vida, o trabalho, a família, os amigos, e o amor nos ajuda a superar os dias de "down".
Escrevi no Boa Baltazar alguns textos que descrevem um pouco o que já passei por aqui. Se tiver interesse, leia
http://fccdp.blogspot.com/2009/01/alemo-ah-essa-no.html
e/ou
http://fccdp.blogspot.com/2009/01/auto-anlise.html
Abraços, Fatima

Mírian Mondon disse...

Oi Nilson,
Voce tem razão, imigração atraves de casamento é desafiante, mas bem menos do que sem o casamento sem duvida! já vivi as duas situações morei na Inglaterra por dois anos e na França por mais dois, e como disse a Fatima, tambem não me via como imigrante nesses 4 anos porque estava lá para estudar. Mas mesmo assim, quem fica por mais de um ano em terra alheia acaba vivendo os mesmos problemas dos imigrantes.

Abraços e obrigada pela visita!

Mírian Mondon disse...

Uau Fatima! 14 anos... isso é mesmo muito tempo. Entendo perfeitamente o que voce está falando.
Como voce tambem morei na Europa e por fim imigrei.
Tambem estudei profundamente sobre imigraçao porque preparava grupos para a imigraçao Canadense em Sao Paulo. Não só com os idiomas, mas tambem com um grupo de estudos.
É impressionante essa realidade de integração parcial. No Canada por exemplo, eles estimulam cada imigrante a manter-se unido ao seu grupo etnico, porque eles sabem que do contrario eles vão regressar ao país de origem por que a chamada integracao nao acontece de fato, não completamente, não amplamente.
Tenho amigas que ja'estão aqui nos USA por 30 anos e continuam sem patria, tornaram-se cidadas de lugar nenhum.
Meu proprio marido que é Frances, e naturalizou-se americano já por 22 anos mas vive aqui a mais tempo, vive esse mesmo dilema. Mesmo tendo bons amigos, dando aula na Universidade, ou seja ele não vive a margem de forma alguma, mas ainda existe esse sentimento de não pertencer.
Alguns carinhosamente o chamam de
Frenchman :)
Vou ler suas postagens sobre o assunto com certeza!

Abraços e obrigada pela visita e por compartilhar!